Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Scarlet.

(Para as seis almas que vez ou outra pintam por aqui, aí vai um poema do velho e bom Bukowski, só pra lembrar de coisas essenciais da vida humana - sem colocar Lair Ribeiro no meio, naturalmente -)

Scarlet.

fico feliz quando elas chegam
e feliz quando se vão

feliz quando escuto os saltos
se aproximando de minha porta
feliz quando esses saltos
se afastam

feliz por foder
feliz por me importar
feliz quando tudo termina

e
desde que as coisas ou estão
começando ou terminando
fico feliz
a maior parte do tempo

e os gatos caminham pra cima e pra baixo
e a terra gira em torno do sol
e o telefone toca:

"é a Scarlet".
"quem?"
"Scarlet."
"certo, pinta aí."

e desligo pensando
talvez seja isso
entro
dou uma cagada rápida
me barbeio
me banho

me visto

ponho o lixo
e as caixas cheias de garrafas vazias
pra fora

me sento ao som dos
saltos se aproximando
parecendo mais a aproximação de um exército
do que o som da vitória

É Scarlet
e na minha cozinha a torneira
continua pingando
precisando de concerto.

cuidarei disso mais
tarde.

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Lixo.

(Poema besta para alegrar (?!) esta tarde de segunda. Abraços...)
Lixo.

Dedos no teclado
Para escrever um poema da alma,
Dos dias cinzas e das nuvens
Claras que andam me aparecendo.
Toca a campainha.
Eu, concentrado e irritado,
Fumando como um desvairado,
Abro: é um lixeiro.
Não um lixeiro qualquer, mas
O responsável por apanhar com os dedos todos
Os restos e sobras que passaram pela minha vida.
Quiçá, até mais que a própria poesia.
- Caixinha de natal!
Sorri, ele sorriu, e
Saquei dois reais do meu bolso,
Mais duas aristocráticas cigarrilhas de regalo
Para ele.
Tem mais: disse-lhe que fumasse
Apreciando cada tragada, ainda que correndo,
Pedindo caixinhas e pegando os lixos alheios.
Agradeceu-me sorrindo, com seus dentes
Tortos.
Dei-me conta de que a poesia
Está tanto na alma quanto no lixo.

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Lou Reed na Calixto.

( Mais uma crônica da série "Crônicas beneditinas", esta em homenagem ao mundo da música pop. Ofereço ela à Carlinhos, que tem o bom hábito de matar as horas do seu trabalho lendo coisas inúteis - como tudo aquilo que o homem cria - na internet, para desbaratear sua chefa)

Lou Reed na Calixto.



Do meu lado trabalha um camarada chamado Gil, Gildário. Vende cd`s piratas, gravados, genéricos, depende de quem está falando. Enfim, vende cd`s também, em MP3. Muita coisa fina, desde Jacob do bandolim até jazz, coisas assim. Mas têm um ou outro Linkin Park, essas coisas também. Pouco, mas tem. Fala o dia todo, pelos cotovelos. Quando toma umas e outras então, puta que pariu. Ninguém agüenta. Mas é gente fina, um cara legal. Anda um pouco tristonho, terminou um casamento de uns sete, oito anos. Quando alguém pede algo como “Rebelde”, “Amado Batista”, diz sempre que não trabalha com droga pesada, que seu negócio é no máximo um baseadinho. Geralmente nêgo não entende, sai andando. Fuma maconha o dia inteiro, no duro. Não sei como consegue se manter em pé. Qualquer dia a sua cabeça vai explodir, virar fumaça, de tanto fumo acumulado.
Dia desses me aparece na banca dele o Otto, cantor, ex-percussionista do grande e salve-salve Mundo Livre S/A. Não gosto muito dele não, acho suas letras fracas e um pouco porra-louca demais para meus ouvidos. Uma espécie de quase Lou Reed brasileiro, só que casado com a delícia da Alessandra Negrini, o que denota uma característica de que a mulher o salvou dos arcabouços do inferno, ou algo assim. Muito “style” para mim. Pois bem. Aparece na banca do Gil e começa a olhar os cd`s, fuça na caixa, olhando, olhando. De repente, encontra um cd com seus discos, todos os seus poucos e fracos álbuns, compactados em MP3. Olha perplexo, se vira para Gil e diz:
- Rapaz, você está vendendo meus discos aqui, bicho. Não pode não, pô! Ce tá pirateando meu trabalho, cara. Não pode não, pô!
No que Gil vira pro camarada e diz:
- Porra, meu irmão! Qual é? As pessoas vão conhecer sua música e ir aos seus shows, e isso não é bom não? É bom para você sim, cara! Pensa nisso. Bom para mim e bom para você também, bicho!
Mas a figura parecia resolvida a aporrinhar a vida do meu colega de ofício:
- Mas fui eu quem compôs as músicas, quem gravei todas elas. Você não pode ganhar dinheiro em cima do meu trabalho não, bicho! Não é justo, cara!
Gil olhou para mim, já devia estar um pouco com o ovo virado daquele papo todo, e disse para o Lou Reed brasileiro:
- Quer saber de uma coisa? Pode levar essa merda embora pra sua casa. Ninguém compra mesmo, entendeu? Ninguém gosta da sua música, nem eu e nem ninguém, tá entendendo? Olha só, ainda mais do lado da discografia completa do Miles Davis, olha isso! Um horror, uma verdadeira afronta! Vai, leva essa merda e não volta mais aqui não, amigo! Nem eu e nem ninguém gosta desse lixo que você faz!
O cara ficou atônito, enquanto Gil pegava o cd e tentava entregar para nosso amigo. Ele virou e disse um “não é assim não, rapaz”, e Gil retrucou decidido que não tinha outro jeito, que era melhor para o ouvido das pessoas e para o bolso de ambos. O cara se virou e foi embora, sem saber o que fazer. Rimos o dia inteiro, feito loucos, enquanto nosso astro pop devia estar concedendo alguma entrevista para alguma revista cult da vida, dizendo sobre o processo de criação de suas canções, de como seu casamento era perfeito, etc. Um verdadeiro Ottar.. Assoviando “Tchu, tchurup, tchup-tchup-tchup-tchurup-tchup, tchurup, tchup-tchup-tchup-tchurup-tchuuuuuuup”.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Adoro Cartola!

(Poema muito carinhoso - embora não pareça - a respeito do samba, que espero que se explique por si só. Abraço a todos)

Adoro Cartola!
Quando piso em folhas secas...
Quando piso em folhas secas...
Quando piso em folhas secas,
Nada me vêm à cabeça.
Nunca fui à Mangueira, nem sou do Estácio.
Adeus Noel, adeus poema:
Vila mesmo, só a Madalena.
Nunca fui ao morro, nem pra fazer samba
Nem pra cheirar as flores dos
Seus vastos e regados jardins.
Pro Bixiga ninguém vai:
Nem ao amanhecer, nem antes do pôr-do-sol.
"Olha lá, a velhinha que canta samba!",
Dizem.
Qual a diferença entre velhos
E jovens: será o timbre da voz?
Serão aqueles tão "coitadinhos" que
Mereçam serem tratados como tal?
Ícones por conta da rigidez do tempo?
Queria mesmo é ouvir aquele samba
Composto na semana passada:
Cadê?
"Ah, gente: eu adoro Cartola...
E samba, ah... eu A-DO-RO samba!"
Então é assim: nada de Fred 04,
Kid Morengueira ninguém canta,
Caetano é um reacionário,
Chico "entende" a alma feminina
Como nenhum outro e...
Nelson Cavaquinho parece um vovozinho fofo.
Chega disso:
Use seu liquificador, plugue seu overdrive!
Pense dance pense,
Pense e dance!
Meu tempo é quando,
Mas meu mundo
É hoje!

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Seco.

(Texto feito no calor da hora, meses atrás... Não estou bem certo se o formato, a textura e o conteúdo dele me soam bem hoje; na verdade, foi o único texto que não revisei até hoje. Um tapa na minha própria cara, pois naquele dia...)




... saí de casa, e o giro da chave me pareceu como um barulho de areia sendo jogada em cima do meu próprio caixão, na minha própria vala, mesmo sem nunca ter ouvido tal barulho. Uma ave, que não sei o nome, voa fazendo alvoroço às três da manhã, em frente da minha casa, na rua. Nunca me interessei muito por aves, nem por animal nenhum. É poético, etc. e tal, muitos estão em extinção, mas simplesmente não consigo ou nunca quis dar atenção para isso. São-me indiferentes, e só. Por indiferença estou indo embora, talvez para sempre. Não, é para sempre mesmo. Venta na rua, e minha camisa xadrez é pequena e velha demais para o vento que esmaga meu corpo, como se isso fosse justo. Não sou culpado, isso não existe. Tento abolir isso do meu vocabulário a cada dia, numa verdadeira cruzada lingüística. Medo sim, isso sempre tive. Fui criado numa família de classe média, a tal da culpa não é minha. Às vezes me borro todo. Aliás, dia desses estava caminhando de madrugada no meu bairro, e uma turma passou por mim, gritando e bebendo qualquer coisa barata num copo de plástico vagabundo, uivando um hino de imbecilidade e possível violência. Esse tipo de gente é que sai aos domingos em turba, com mais uns vinte ou trinta idiotas uniformizados, espancando qualquer um que esteja vestido com uma camiseta do time rival. Penso que se eu tivesse sido criado na pobreza, ou na mais extrema riqueza, estaria mais propenso a agir violentamente. Por que não tenho coragem de, por exemplo, sacar uma arma e mandar todos se ajoelhar e darem beijos um na boca do outro? Seria anárquico, divertido, justo e arrebatador. Fazer sentirem-se uns bostas, isso sim seria bacana, bem bacana. Caminho. Minhas pernas vão lentamente seguindo o ritmo descompassado do meu braço, que nas últimas quatro horas levou mais de três maços de cigarro à boca. O casamento não deveria existir, deveria ser abolido e publicado no Diário Oficial o seu fim. Justo. Isso não é radicalismo, é pragmatismo. Todo mundo é pragmático, por que eu também não posso ser? Também quero. Sigo pela rua escura, propícia aos sentimentos existentes, tudo no seu devido lugar. Meu signo é touro, e eu também deveria ser um, não fosse o ascendente em gêmeos para jogar a minha cabeça pra lua. Ela sempre me lembrava disso. Acho que ela realmente dava importância pra isso. As mulheres são todas muito pragmáticas, todas. Na teoria, estou condenado ao fracasso, devo me preparar para isso. Com a cabeça na lua o sujeito se perde. Tenho que manter a guarda, manter a cabeça acima da água. O mundo pode me atropelar a qualquer momento, querer botar no meu rabo a qualquer hora. Não tenho as costas quentes, tenho que me acostumar a esperar pelo pior, sempre. Já vi nego se chafurdando na merda por causa de mulher. Não, foi por causa do amor. Do sentimento do amor, quero dizer. Da dor. Muita dor, e o sujeito acaba escorregando e caindo ladeira abaixo. Aí não tem mais volta. Aliás, nenhum caminho tem. Faz uns meses que não paro pra ver um filme, ando comendo pouco e bebendo muito vinho, todas as noites praticamente. E escrevendo, escrevendo. E olhando a janela. E fumando que nem um dragão. E lendo Rubem Fonseca. O trabalho eu faço, preciso do dinheiro, gosto de ter dinheiro. Não sou burguês, mas me acostumei a ser. Ontem passei por um violinista na Paulista, estava frio e ele lá, tocando na rua. Era um tema do Mozart, eu acho. Não tenho muita certeza. Lindo. Sua garota estava do lado, olhando pra ele, olhando pra mim, olhando pra rua. Lindos olhos, os dela. Dei dez reais para eles. Quando pus o dinheiro na caixa aberta do instrumento, ela olhou fundo nos meus olhos, como se tivesse entendido algo. Não sei o que, mas gostaria de saber. Raramente ouço música, e ultimamente só ouço as notícias do rádio. Ando um pouco obsessivo, mas não sei bem pelo quê. E ficando obsessivo, a minha libido cai. Anda bastante baixa. Sexo mesmo, muito pouco ultimamente. Minha última trepada deve ter sido uns dois meses atrás. Não sinto nada, de vez em quando acordo no meio da noite com o pau duro, começo a alisar, e dois minutos depois gozo um jorro branco e colante. Nos últimos dois meses estou indo quase todas as noites pra uma praça muito bonita e deserta. Vejo o céu escuro, as estrelas quando dá e um pouco de ar puro. Todos dizem que o ar de São Paulo é poluído, mas não sabem respirar direito. Faltam-lhes narizes. É isso, e é irreversível. Quando volto, caminho olhando pro chão, procurando alguma lata de cerveja pra chutar. Virou um vício, um hábito. Ela me disse que quando me prendo aos hábitos, é porque quero enlouquecer. Diz que na verdade já enlouqueci. Não sabe de porra nenhuma, ela. É o contrário. Foda-se, não me importo mais. Fico louco é com os jovens, parece que desaprenderam a falar, só murmuram. Este mundo está indo pras picas, ninguém se dá conta. As latas, ela, os jovens. Uma mistura bombástica para o meu fígado. Chuto a lata mesmo, e um dia vou ter coragem de chutar pombos, daí é que vai ser divertido. “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”. Esta frase não me sai da cabeça, o Fonseca é um filho da puta, me come a alma. Acho que já escrevi isto umas dez vezes, fico me repetindo. Tudo se repete, no fim. Não quero fazer a diferença, quero entrar no coral das massas. Isso, fazer parte de um coro uníssono. É disso que eu preciso, vai ver. Tudo igual, afinal de contas. Venta muito, sinto nos olhos, vai chover e estou sem guarda-chuvas, não quero andar de carro e vou indo, indo, e escutando um zumbido dentro da minha cabeça: “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Vastas emoções e pensamentos imperfeitos”. Seco.

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Os santos.

Os santos.

Foi numa mesa de um destes mil botequins que a história que contarei me foi narrada. Mais uma destas histórias de guerra que estamos acostumados a ouvir, mas que é sempre bom relembrar. Ou “renarrar”, tanto faz. Tentarei ser o mais fiel possível àquilo que meus ouvidos conseguiram captar depois de três doses duplas de whiskie 8 anos. “Bendita birita”; vamos ver se consigo. É a história de vida do avô de um professor meu. Lá vai:
Brasil, época da Primeira Guerra Mundial. A “Grande Guerra”. 1915, mais precisamente. Um jovem anarquista, filho de imigrantes italianos, tinha o curioso ofício de fogueteiro, ou seja, preparar fogos de artifício para datas festivas, etc. Muito bem: o que um anarquista fogueteiro, no início do século XX, poderia fazer com a arte que sabia dominar? Explodir coisas, óbvio. Eis que o tal camarada me explode um bonde no centro de São Paulo, ferindo várias pessoas, tendo que logo em seguida sair fugido do país. Para tanto, teve que se alistar no exército italiano, daqui mesmo, e partir para além mar. Era a única maneira de sair ileso do que havia feito. Imagine só: um anarquista tendo que servir o exército para salvar a própria pele. No mínimo curioso... Enfim, lá foi ele.
(Ah, antes que eu me esqueça - maldita birita!- : Por ser anarquista, e de quebra ateu inveterado, tinha o revoltoso hábito de quebrar os santos de porcelana da sua mãe, católica carola e fervorosa, que guardava todos os caquinhos dos santinhos destroçados pela ideologia do tresloucado filho - anarquistas de todo o mundo, uni-vos para quebrar estátuas!-).
Pois bem: a grande guerra foi “a guerra” de trincheiras, e nosso amigo ficou com a cabeça enfiada na lama por dois anos, em algum lugar no Vale do Pó. Entrincheirados, a vida desses homens que sobreviveram dentro de buracos por um motivo que, na maioria das vezes, lhes eram completamente alheios, era uma merda só, sendo impossível sabermos com precisão o que foi aquele tempo naquelas condições.
Seja como for, depois de ficar três dias sem dormir, bate-lhe um sono muito pesado, no exato momento em que as tropas inimigas estão avançando. Adormece, e enquanto as tropas avançam em direção à trincheira italiana, ele tem um sonho em que uma daquelas santas, cuja imagem havia quebrado, lhe aparece, dizendo para acordar e fugir o mais depressa possível, que sua vida dependia daquilo, imediatamente. No que ele abre os olhos, de fato avista o exército inimigo avançando, e de súbito se levanta e corre desesperadamente para salvar sua pele. Consegue, afinal, se salvar.
Terminada a guerra, regressa para o Brasil, “limpo” com a justiça brasileira, etc. e tal. Chegando em casa, a família o aguarda com festa, comida e bebida na mesa, essas coisas. Finda a celebração do reencontro, quando todos já tinham ido dormir, ele vai até o armário da sala. Procura, procura, até encontrar o que queria. Os sacos cujos cacos de todos aqueles santos estavam, separados pelos respectivos santinhos. Procura, procura, até encontrar aquela santa cuja vida lhe havia salvado na trincheira. Pega um tubo de cola, e começa imediatamente a colar os cacos e, como num mosaico, ele restitui-lhe o corpo, as vestes, a face precisa e exatamente igual à do seu sonho. Na verdade, colou todos os santinhos que havia quebrado outrora. Durante toda a sua vida, não houve uma noite sequer que não tenha tido pesadelos por conta dos seus anos na guerra.

Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Vala comum.

(Ora pois... Posto mais uma daquelas bestiais crônicas do meu labor, enquanto caminho pelo Largo São Bento atrás de uma pá de boa qualidade para levar a cabo o projeto narrado nas linhas abaixo... Bom carnaval para todos.)

Vala comum.




Sentado aqui, como sempre, vendo o mundo, sempre o mesmo grande e eterno mundo passando pelos meus olhos. Desta vez sem ressaca, sem pessoas interessantes aparecendo, sem casos novos para narrar. Sem mediocridade e sem emoção. Nem ironia, nem poesia. Só sentado. Começo a divagar, pensando em alguns filmes, filmes A, filmes B, D E F G. De Niro naquela primeira cena do Touro Indomável, no ringue, belíssimo. Recordo-me de Mohamed Ali. Depois, a cena do astronauta em 2001, flutuando pelo corredor da espaçonave, indo rumo ao desconhecido.
Fico aqui, pirando, e me vêm à cabeça algumas personalidades do cinema que, por exemplo, poderiam facilmente ser enterradas naquilo que costuma se chamar de “vala comum”. É isso. Vamos lá, tecer uma lista, mas só do cinema, senão teria que escrever o maior obituário já feito na história da humanidade, maior até do que Auschwitz. Vejamos.
Por Exemplo, e encabeçando a lista, Kurt Russel. Esse poderia ser enterrado numa vala comum tranqüilamente. Ultimamente fico pensando nesse puto, nem sei por quê. Ah, já sei, por causa do Tango e Cash que narrei em outra crônica. Bem, continuando: Chuck Norris ia junto, sem dó nem piedade. Matou tanta gente em seus filmes que merece, VALA COMUM PARA ELE, MINHA GENTE! O Bruce Willis com aquele olharzinho de lado que cena sim cena também ele faz, isso em todos os seus filmes. Spielberg é outro, tanta grana e uma razoável inteligência, e só faz merda (e não me venham com essa de que Contatos Imediatos é um bom filme). Quem mais? Charles Bronson, Daniel Filho fácil, Schuaznegger, até o Zé do Caixão (só pra criar polêmica), Oliver Stone junto deles, pois também no me piacci. George Lucas, Sandra Bullock, o Shrek, o Mickey Mouse e a turma toda. O Wagner Moura também seria outro, se não tivesse feito tão bem o seu papel no filme Tropa de Elite. Dolph Lundgreen (acho que é assim que se escreve o nome desse canalha), Martin Sheen, seu pai, os três irmãos Baldwin, seus pais também. Pelé também fez filmes, ora bolas! Vai junto com a galera. Renato Aragão será incinerado, e suas cinzas irão virar adubo também, numa vala comum, óbvio. A Xuxa e todos os seus duendes cabem numa vala só, economizando espaço e trabalho para o coveiro. Até a filha, aquela que não cresce nunca vai junto, todo mundo, família feliz. Vamos lá, pensando... Ah, Bem Afflet e aquele outro que sempre faz filmes com ele, não me lembro o nome...O baixinho, sabem? Steven Segal, como não pensei nele antes, caralho! Eddie Murphie só não vai porque Um príncipe em Nova Yorque marcou época, senão ia já... Stallone e sua boquinha de coitado pedindo socorro também, óbvio... Aquela boquinha é a vergonha estadunidense, a vergonha nacional! Vamos lá, pensando... Ah, já basta! É isso. Qualquer dia desses acrescento mais nomes à lista... Vou fazer melhor: vou fazer uma enquete na minha banca, pondo uma lista dos verdadeiros canalhas da história do cinema que merecem ou mereceriam ser enterrados em tal condição. Conto o desenrolar dessa história numa próxima crônica. Continua...

Franco Chiariello, profissão: coveiro.